sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ouvidos: cuidados de Verão


Uma forte dor de ouvidos ou uma surdez súbita podem estragar umas férias em família pelo que convém contar com o seu médico especialista em problemas de ouvidos e garganta antes de embarcar no avião para o seu destino de praia, sobretudo se gosta de praticar desportos aquáticos.



ÁGUA
As pessoas que praticam mergulho, surf ou natação em água fria desenvolvem exostoses (designação técnica do «ouvido do mergulhador ou do surfista»), com o passar dos anos: os ossos do canal auditivo externo têm tendência a crescer e a fazer uma obliteração do canal auditivo externo parcial, sub-total ou total.
Sem protecção nos ouvidos a água vai entrar e ficar retida pelas saliências ósseas e, como o arejamento da pele não é bom, nem há exposição solar, podem desenvolver-se infecções, otites externas. Estas otites bacterianas, por vezes complicadas com fungos (micoses), são infecções de pele do canal auditivo externo e podem provocar otalgia (dor), estragando as férias. O problema trata-se com antibiótico indicado para os microrganismos da pele (estafilococos), a flucloxacilina, e medicamentos tópicos, gotas óticas. Com o passar dos anos pode haver indicação para cirurgia, para calibrar o ouvido.

Como prevenção, deve proteger o ouvido da entrada de água, mesmo no duche, usando tampões nos ouvidos – pré-moldados, de silicone ou de algodão cardado embebido em vaselina líquida. Quando se pratica surf os tampões têm tendência a saltar, pelo que é preciso usar uma ear-band, uma banda que faz contenção à volta dos ouvidos e se prende com velcro. Os tampões também são úteis nos casos de crianças ou adultos que têm otites crónicas com perfuração do tímpano (otite média dos ouvidos) ou foram submetidos a cirurgias dos ouvidos e têm tubos transtimpânicos. Isto porque a entrada de água provoca uma otite média (não dolorosa), com emissão de pus (otorreia). Também neste caso é necessário fazer antibioterapia, complementada com gotas óticas.
Pelo contrário, quando existem queixas de eczema crónico no canal auditivo externo (patologia da pele), a água do mar não faz mal. Se o tímpano estiver íntegro, a pessoa pode ir tomar banho no mar porque o iodo da água ajuda a tratar, a pele vai ficar mais saudável.  Ao invés, se for a uma piscina tratada com cloro, aí é obrigatório proteger o ouvido. O cloro irrita a pele e a pessoa tem tendência a coçar com objectos. Quando existem queixas de sinusite e rinite as pessoas devem aproveitar bem a praia, pois é sempre melhor que a piscina, a não ser que esta tenha uma água salgada ou não clorada, como as piscinas biológicas.

BOOM-CARS
Uma coisa muito perigosa consiste em viajar em carros descapotáveis a alta velocidade com o som muito alto: os boom-cars são extremamente lesivos e podem prejudicar a capacidade auditiva.

CERA
As pessoas que têm tendência a ficar com muita cera nos ouvidos sentem-se incomodadas quando tomam banho porque a dilatação da substância provoca a sensação de «ouvidos tapados». Antes de partirem devem fazer uma limpeza ou procurar o médico para ver se está tudo bem

DESIDRATAÇÃO
Para o especialista é sempre muito importante a hidratação das mucosas: devemos beber muita água para proteger as cordas vocais, mais fragilizadas pelo ar condicionado e pelas diferenças de temperatura.

EQUALIZAÇÃO DAS PRESSÕES
Quando existe um desvio ou pólipos do septo nasal, rinite ou sinusite o mergulho e os voos aéreos são mais problemáticos no que concerne a equalização das pressões, realizada através da trompa de Eustáquio. Este canal tem o orifício de entrada na rinofaringe: o ar entra através da deglutição da saliva e vai equalizar as pressões dentro da caixa do tímpano. Se esta trompa funcionar mal devido aos mecanismos patológicos de obstrução nasal, o ar não passa e a pressão fica sempre negativa na caixa do tímpano, independentemente da pressão auditiva externa.   
A pessoa pode ter um barotraumatismo, que pode originar otite barotraumática (dolorosa), condicionando hipoacúsia (diminuição da audição) ou pode até sofrer ruptura dos tímpanos.
Quem gosta de fazer mergulho deve ter sempre uma avaliação das fossas nasais no médico especializado. Se estiver constipado tem de descongestionar o nariz e, quando viaja de avião, deve ter o cuidado de usar gotas nasais, soro, antistaminico, chupar um rebuçado ou mascar pastilha elástica, sobretudo durante a descolagem e aterragem.

FESTIVAIS DE VERÃO
O ruído acima de 80 decibéis já pode lesar o ouvido interno, condicionar traumatismo sonoro e morte celular. Isto pode provocar um zumbido muito incomodativo e, por vezes, surdez súbita. Diversos aspectos podem favorecer esta situação: ficar muito perto das colunas de som; o organismo estar fragilizado pela exposição solar, desidratação, efeitos do álcool e outros estimulantes e cansaço acumulado devido às noites em branco.


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